rinocerônticas

viver em paz
até um rinoceronte
com vontade de matar
o universo (e seu inverso)
é capaz

só me resta não ser
escravo de tempo
nem seu capataz

o resto é a poeira dos anos
que faz ser pra trás

ímãs de geladeira 3

esconde fogo
segredo íntimo
sentimento malícia

desculpa dormir

ímas de geladeira 2

acorda bagunça!
roupa toalha
cama quarto
delícia preguiça
domingo…

ímãs de geladeira 1

namora cerveja
gostosa
lembra êxtase

amnésicas

tanta coisa bonita que vivi
que me deixou intrigado:
tem certeza que não era você
ao meu lado?

coisa de novela

não sei se por culpa minha ou sua
mas enquanto você se fez
de ruth e raquel
eu fui o seu tonho da lua

entrementes

esta solidão que
me dá rasantes
já não me dói
como antes

tropeço

é tanta rua e
falta de rumo
que nem com rima
sorrio

poeminha pruma época de extrema exacerbação sexual (millôr fernandes)

eu também gosto
de permissividade,
garotada
mas, aqui entre nós,
e na alminha,
não vai nada?

* in poemas, editora l&pm 2001

átimo

aqui no exato espaço
entre o que eu quero
e o que faço
estão carimbados
avaliados e rotulados
todos meus fracassos

* setembro de 2009, pequena homenagem aos 20 anos de falecimento de raul seixas

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