não me interessa o pecado
vide o verso da virtude
antes disso o destino
teu silêncio
minha quietude
“Só os profetas enxergam o óbvio” Nelson Rodrigues
não me interessa o pecado
vide o verso da virtude
antes disso o destino
teu silêncio
minha quietude
por um poema menos mundo
e mais manha
mantendo ainda toda
alegria tamanha
apesar de
bêbados religiosamente orando por mais um trago
peregrinando em madrugadas, bares
tropeçando em vômito celebram
as santas missas em seus lares
* poema de flávio lemos, poeta jedi carioca, amigo e irmão.
ah esse desacerto
impreciso como um
riso que se ri
infinito
como essa prece
sem pressa
que eu rezo
no grito
muito obrigado, garçom
pelo papel, pela caneta
e pelo biodiesel
sem o qual nada disso
seria possível
versos que não são
goles em vão
é noite de blues
melancolia de plantão
poesia de bar,
de madrugadas mesmo,
daquelas violentas
destiladas, indomáveis
monstruosamente frágeis…
como esse guardanapo
rabisco molhado de mais
um poema perdido
no bolso furado
de um bêbado fodido
essa noite não passa
mas a vida sim
bem aqui nessa esquina
por cima de mim
sei que ando distante
mas ainda cometo
meus crimes com agravantes
e com a pena que me imputam
escrevo como nunca
(ou como antes)
a dor e a delícia
de tantos flagrantes
havia a vida
eu via
o coração batia
a vida crescia
mas eu sei,
a vida varia
foi então que
um dia
não mais vivia
a vida que havia
ninguém mais sorria
a barriga vazia
por entre nossos medos
mais um sonho
se esvaía
e não havia mais
a vida que eu via
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