vide verso

não me interessa o pecado
vide o verso da virtude
antes disso o destino

teu silêncio
minha quietude

insinuo

por um poema menos mundo
e mais manha
mantendo ainda toda
alegria tamanha

apesar de

colaboração do flávio

bêbados religiosamente orando por mais um trago
peregrinando em madrugadas, bares
tropeçando em vômito celebram
as santas missas em seus lares

* poema de flávio lemos, poeta jedi carioca, amigo e irmão.

desacerto

ah esse desacerto
impreciso como um
riso que se ri
infinito
como essa prece
sem pressa
que eu rezo
no grito

barfly

muito obrigado, garçom
pelo papel, pela caneta
e pelo biodiesel
sem o qual nada disso
seria possível

noites de blues

versos que não são
goles em vão
é noite de blues
melancolia de plantão

no bolso

poesia de bar,
de madrugadas mesmo,
daquelas violentas
destiladas, indomáveis
monstruosamente frágeis…
como esse guardanapo
rabisco molhado de mais
um poema perdido
no bolso furado
de um bêbado fodido

cronolentas

essa noite não passa
mas a vida sim
bem aqui nessa esquina
por cima de mim

flagrante de litro

sei que ando distante
mas ainda cometo
meus crimes com agravantes
e com a pena que me imputam
escrevo como nunca
(ou como antes)
a dor e a delícia
de tantos flagrantes

eu via a vida que havia

havia a vida
eu via
o coração batia
a vida crescia

mas eu sei,
a vida varia
foi então que
um dia
não mais vivia
a vida que havia
ninguém mais sorria
a barriga vazia
por entre nossos medos
mais um sonho
se esvaía
e não havia mais
a vida que eu via

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