Arquivo para maio \23\UTC 2011

pobre vulcão islandês

* inspirado no jovem vulcão islandês Grimsvötn que em maio de 2011 entrou em erupção mesmo que fadado ao esquecimento e anonimato

o que fazer sem identidade
– e para que servem os nomes
que ninguém consegue dizer –
numa terra tão fria
esquecida, por sobre placas
tectônicas de anteontens
e magma vindo do nife
senão entrar em erupção
como numa polução noturna
na noite eterna e saturna
no ártico gelado
da solidão de um adolescente
que pensando ser gente
na verdade era vulcão

dízimim

na matemática delirante
do amor
desisto do sentido
e da lógica

me contento em ser
mera dízima periódica

nosso silêncio

já que o som do nosso silêncio
ainda é maior que o barulho
que vem lá de fora
a gente ama e finge
que o mundo não existe
enquanto ele também
nos ignora

partidos

mantendo aquela careta
ela fingiu que não sentiu
a dor daquela ferida
que rimava com vida

e que nunca mais
sorriu

a língua que falo

eu sou a língua que falo
encenando a cena
daquilo que sou
o rumo que faço
esse assombro em silêncio
soando como eu
no passo que dou