Arquivo para agosto \21\UTC 2012

no silêncio do contrato
o indivíduo paga o pato
e tende a desaparecer

no silêncio do contrato
o amor fica de lado
e vira um anúncio de tevê

no silêncio do contrato
(e também dos contratantes)

nada vai mesmo mudar
e tudo será como antes

no silêncio do contrato
(que ninguém parou pra ler)
sua vigência se renova
sem você perceber

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pessimesmas

vamos falar do passado
porque o futuro
(esse sim)
já se foi

o indivíduo é um produto,
já sugaram a consciência
dele com um canudo

e vive assim
esse absurdo
que me instiga a respirar
do outro lado do muro:

meu pensamento-reduto

(mas enquanto der dinheiro
eles vão tentar manter
isso tudo)

olho o gari que

durante o serviço

flertava com a mendiga

e vivia o amor onde

você só via lixo

eu não sei
o que seria

a maldita poesia

mas acho que deveria
ser sempre na hora,

como um raio:

 

uma luz

um estrondo

 

e no fim

esse assombro