Arquivo para abril \29\UTC 2010

outro corpo

pra me livrar dessa dor

eu preciso de pouco

mais dia

menos dia

outro corpo

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distraídos venceremos (a la leminski)

eu desvio da reta

esqueço da meta

e me pego rimando

esparso como as nuvens

sincero como as montanhas

meus erros têm

os meus tamanhos

os melhores homens são mais fortes sozinhos

na maior parte do tempo em que um homem está tentando
escrever
alguma mulher entra e sai
ela quer isso
ela quer aquilo

na maior parte do tempo em que um homem está escrevendo
ocorrem discussões simultâneas com alguma mulher.

não é fácil discutir com uma mulher e escrever
ao mesmo tempo.
às vezes eu acho que as mulheres têm ciúmes da
máquina de escrever.

a máquina de escrever dá a elas refeições em restaurantes,
um carro decente, roupas, sapatos.
mas elas têm ciúmes da máquina de escrever.
“quando você vai para o andar de cima para escrever, eu fico completamente
sozinha”, elas dizem.

quando eu vou lá pra cima para escrever eu fico sozinho
também.
houve vezes em que não havia
um andar de cima.
houve vezes em que havia um quarto
com o banheiro no fim do
corredor.
houve vezes em que não havia um
quarto ou uma máquina de escrever, apenas um
banco de praça.

“aquela máquina de escrever é a sua muleta”,
elas dizem sabiamente.

estou velho demais para voltar para a fábrica,
a fábrica não iria me querer
agora.

felizmente
essa máquina tem sido tão fiel a mim
quanto qualquer mulher que eu tenha conhecido.

e hoje a noite é especial.
estou sozinho de novo
exatamente como quando comecei.

meus dedos batem nas teclas.
a guerra nunca acabou.
eu gosto dessa luta.

e agora fica claro para mim que
não há nada tão bonito e
puro e tão perfeito quanto o
verso bem escrito.

* poema de Charles Bukowski, publicado no livro “Vida Desalmada”.

nevermind the bullocks

antes que o sol se ponha diga um palavrão
ouça, ou leia o lance do filtro solar…
retarde a emoção…
rasgue esse poema agora
emoldure o do filtro solar e rasgue esse,
cante comigo: mengo!
não há nada aqui
você nasceu sabendo
seu
latifundiário de merda

* mais um poema mal educado do poeta flavio lemos, meu brother in arms