Arquivo de fevereiro \29\UTC 2008

disparate

não há remédio

que me cure

nem veneno

que me mate

tristeza e alegria

em mim

sempre deram empate

off-rebanho

se viver só é fácil

se for sob o

disfarce clássico

do normal

o negócio é deixar

a Babilônia

e partir pro coisa e tal

releminski

fazer poesia é

riscar uma página

como quem risca o céu

riscando um fósforo

enquanto faz careta

no espelho

ser poeta mesmo

é ser kamiquase isso

e morrer cedo

ps. kamiquase é um termo garimpado e lapidado por paulo leminski., poeta curitibano.

receita do flávio

meia banda de limão

farofinha de humano

um punhado de senãos

refogados em engano

haja o que houver

só me alimento do

meu couvert de lamentos

mundanos

(Flávio Lemos)

news from the swamp

todo ranzinza

é uma rã

cinza

encurralados (por todos os lados)

a cerca acerca

é a única certeza

escapulir é uma

questão de destreza

quem sabe um dia

o mundo seja

outro papo

sem neurose

sem necrose

eu e você

em plena osmose