Arquivo de agosto \04\UTC 2013

a bruma que pairava esta manhã
sobre um Rio de Janeiro
(foi assim naquela manhã em 64?)
tão pacífico, tão fotogênico
já não se sabe se pelas
condições climáticas
ou pelo gás lacrimogêneo

por favor, lancem sobre o povo
um gás hilariante
porque pra chorar
nós não precisamos
de nenhum estimulante

tudo isso
o conjunto da obra
já foi o bastante…

o futuro é uma coisa
que ainda nem existe
mas já é daqui
em diante

voltei das férias!

ou não?

ser poeta

é ter sempre

outra opção

corremos riscos,
mas enquanto não tiver
anúncio nos meus sonhos
eu fico tranquilo

menorial holocaustoEm Berlim eu vi os corvos
que voavam sobre Sachsenhausen

Vi o pôr do sol no Spree
por entre pedaços de Muro
que já não dividem mais nada
nem ninguém

Em Berlim vi a razão
depois da loucura
percebi que o passado
parece ter cura

Em Berlim vi o mundo:
Ásia e Europa andando
de mãos dadas
enquanto ouviam música latina
tocada pela África

Em Berlim lembrei de repente
que o mundo já foi um continente só
e que a coisa toda pode funcionar
basta planejar
basta executar

Em Berlim um cidadão alemão
me pediu dinheiro
e me lembrou que o planeta
não para de girar

Em Berlim eu vi a verdade
e era um grafite escrito
num pedaço de Muro
que ninguém tentou
apagar

Highgate Cemitery

Highgate Cemitery - Jul. 2013 Um dia a gente acorda aprende a andar e acaba por fazer um caminho Um dia a gente perde o medo e tenta ser feliz ou para de pensar nisso Um dia a gente cansa o coração amansa e tudo vira saudade Naquele dia em que a gente dorme  até mais tarde

Highgate Cemitery – Jul. 2013
Um dia a gente acorda
aprende a andar
e acaba por fazer
um caminho
Um dia a gente perde o medo
e tenta ser feliz
ou para de pensar nisso
Um dia a gente cansa
o coração amansa
e tudo vira saudade
Naquele dia em que
a gente dorme
até mais tarde