Arquivo para fevereiro \26\UTC 2007

no bolso de trás

 

eu, pobre e poeta,

triste e palhaço,

sem sentido e sem você,

derretido e apaixonado,

venho a ti pedir abrigo

no teu bolso de trás

junto das moedas

de cinco centavos

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Ponte Aérea

ainda bem que

você existe

não agüento mais

ser pombo de praça

perdendo tempo

com alpiste

  

chega de ser metade

saudade, cachaça boa,

é aquela que arde

(re)excessos de carnaval

se o samba é a tristeza

que balança

misture ao bloco que passa

alegria e esperança

  

é carnaval, volto logo

não se preocupem comigo

pois Deus protege

a mim e às crianças

BNegão no Odisséia

Pequena matéria e grandes fotos sobre o show do BNegão e os Seletores de Frequência, aqui no RJ.

Prestigiem:

http://www.matrizonline.com.br/teatroodisseia/arquivos/2007/02/priorizando_as.php?codMenu=4

descalabro ou sobre a fina arte de inventar a vida

 

 

é sobre o que se vive

aquilo que se escreve 

como quem mete a mão

sem luva

na neve

 

é sobre o que se escreve

aquilo que se vive

sem eira nem beira

em descalabro

declive

 

Eterno Gabão

 

Luiz Fernando de Sá, o Gabão, desistiu de ser, em pleno domingo. Resolveu ser eterno por desespero e não pôde mais esperar.

Deixou-nos aqui sonhando o breve sonho da vida.

Bruno Cruz escreveu esse poemadeus. 

Deixo pra ele um abraço infinito. Adeus, poeta! 

 

Gabão (Bruno Cruz) 

 

Na manhã de domingo, um poeta tentou voar. Abriu as asas e partiu rumo ao nada [que é por nada que os poetas partem].

Percorreu em infinito tempo o espaço entre o aqui e o depois e foi friamente acordado pela concretude da vida.

No concreto da realidade, dormiu o poeta. Sonha ele, agora, com os vôos da vida. E a vida, que antes fora concreta, se transmuta em sonho.

Somos nós, o sonho do poeta.

Um dia, acordará o poeta. E seremos nós, seu sonho, quem partirá rumo ao infinito.

Para Gabão [in memoria]