Arquivo para julho \11\UTC 2007

O Jardim (Abdelkarim Tabbal)

 

 

Um dia, o verdejante chão

me disse -”amor”,

como soprasse meus pés

e eu caísse em verde ciranda

envolto em perfume

bebendo do vinho a essência.

Um dia, precisei encontrar

em meu corpo – o tronco

em minha voz – os galhos

em minhas errâncias – as sombras

Nascemos um no outro, e o que não era eu

Aderiu-se a meu espelho

e em nossa união, adornou-se

com o que está

na água

e no sol

e na música

e no sonho

Pedras invocaram a paixão da luz

O sopro da vida ascendeu. Crianças.

O vento em volúpia

venta sua raiva sobre mim.

A ninfa do rio e eu

deslizamos para nosso segredo

e lá ela desvela o nascedouro das árvores,

e confessa os segredos do jardim vindouro.

Mas qual de vocês, viajantes

de noite em noite,

Bisbilhoteiros

do mar e suas ondas,

inimigos das flores,

qual de vocês

pisoteou o coração,

deixando para trás nada além de ruínas,

apenas o lixo espalhado em oblívio?

Vocês não podem fazer nada:

A semente se abriga a salvo no abismo.

 

 

Poema marroquino traduzido luxuosamente do inglês pelo amigo Angelo Cuissi.

A Sierguéi Iessiênin (trecho)

Por enquanto
                    há escória
                                    de sobra.
0 tempo é escasso —
                              mãos à obra.
Primeiro
             é preciso
                           transformar a vida,
para cantá-la —
                      em seguida.
Os tempos estão duros
                                   para o artista:
Mas,
        dizei-me,
                     anêmicos e anões,
os grandes,
                 onde,
                          em que ocasião,
escolheram
                  uma estrada
                                     batida?
General
            da força humana
                                     — Verbo —
marche!
            Que o tempo
                               cuspa balas
                                                 para trás,
e o vento
             no passado
                              só desfaça
um maço de cabelos.
Para o júbilo
                   o planeta
                                 está imaturo.
É preciso
              arrancar alegria
                                     ao futuro.
Nesta vida
                morrer não é difícil.
O difícil
           é a vida e seu ofício.

Vladimir Maiakóvski escreveu este poema para seu camarada-em-letras, Iessiênin, que cometera suicídio por enforcamento.