Arquivo de agosto \25\UTC 2009

avalanches

teu amor é barato
e não me custa uma gota
de sangue
ainda que eu ame
não finja
e me zangue

teu amor dura pouco
mas tem esse tempo louco
das coisas da vida
mesmo que passe
e me deixe
um desastre

tua ausência preenche
e deslancha em mim
suas avalanches de dor
num peito vazio
em pleno torpor

o resto é tudo que sobra
e sofre comigo em respeito
ao silêncio da dor

alpiste

nunca me preparei
para perder
mas perdi

não me preocupei
em aprender
a sofrer
mas sofri

a vida vem sem aviso
e o amor também é triste
enquanto houver pombos
na praça
haverá alpiste

poê magnético

tem escrito?

só aquilo que grito

poê mazarado

sorte de quem sonha
e ainda se assombra com
o inexplicável do fim

azar o meu