Arquivo para dezembro \31\UTC 2006

marquinha de praia

não se aborreça

se eu não parar de olhar

gosto mesmo de entender,

me aprofundar e analisar

 

nem acho que

essas coisas peguem mal

presto com os olhos

meu tributo à Beleza,

salvadora do mundo,

embriagante e fundamental

 

há mais sentido

em sua marquinha de praia

do que em toda

a filosofia ocidental

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sabe?

 

desvencilhar-me de mim

como uma toalha molhada

que jaz toda errada

no chão do meu quarto

que sabe a seus passos

que nem querem

mais saber de mim

rápido e rasteiro

 

a poesia rola solta

e o bicho tá pegando

vivo entre parênteses

atestando e andando

 

pequeno crime cotidiano

chega disso que dizem por aí

abaixo o mesmismo

das bocas de matildes

acredito existir em última instância

me perdoe a ficção acessória

quero antes ser nunca

que me desvanecer na concretude

dessa falta de sonho

 

tarde da noite e nada pode

ser do meu tamanho

 

sou realmente (e portanto)

somente isso que me define

em infinito desleixo:

seus olhos em desengano

sempre aos pares

me profanam

de um caderno

 

não há nada

mais cruel

do que seu sorriso,

sorrindo,

enquanto eu,

menino,

nunca sei o

que dizer

homenagem ao mestre Leminski

business man
make as many business
as you can
you will never know
who I am
 
your mother
says no
your father
says never
you´ll never know
how the strawberry fields
it will be forever

p.leminski

naturlichkeit

eu-em-si não sou 

senão ensaio 

de um vir-a-ser 

  

por favor, não  

se complique 

me explicando por aí      

  

eu-em-si vou indo

e fluindo

não me presto 

a tão pouco saber

  

já te disse  

eu-em-si não sou 

senão ensaio 

de um vir-a-ser 

  

por favor, não se incomode 

e só me deixe acontecer