Arquivo para novembro \30\UTC 2006

vacina

 

não me olhe

de soslaio

eu admito

me esvaio

me diluo

e surjo como

um raio na sua

próxima esquina

eu sou de lua

e me encher da vida

é minha sina

não tem vacina

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viva a vida!

Nasceu o Bento, filho do grande Daniel e da Renata! Foi no último sábado, um dos sábados mais bonitos do ano. A emoção foi tamanha que gerou um poema em homenagem a esse pequeno sagitariano que já nasceu de olhos bem abertos. Esse aí ninguém vai enganar!    

 

nasceu a vida, bem quietinha,

logo ali, em Laranjeiras.

 

num dia como poucos

o sol sorriu para todos

e um novo amigo nasceu

(nesse mundo louco, iluminado,

frio e barulhento)

de olhos abertos, grandão

e bem atento!

 

agradecemos à vida

e a sentimos por dentro;

braços e corações abertos

seus tios felizes dirão:

 

boas-vindas, Bento! 

sobre meninos e bobos

Nem tudo são flores,

às vezes são erros,

amores.

rascunho (por Leandro Godinho)

Mais uma colaboração de amigos. Nesse pequeno conto Leandro Godinho é figurante de uma história em que ele é o protagonista. Nesses tempos de Jota Quest, é interessante lidar com a verdade e a sinceridade dos seus escritos. Adoraria ter produzido isso!  

 

 

Quando levantei da cama, não havia mais nada. Nada a declarar, nada a se fazer, nada que eu pudesse recolher ou furtar. Quis fechar os olhos para ver se as coisas voltavam ao normal numa outra vez que os abrisse, e fechei mesmo, mas continuava a ausência em minhas pupilas quando tornei a abrir a vista e então saí que poderia me atrasar.

O dia ventava, mas o sol estava lá, impaciente. Cheio de luz para deixar claro meu vazio pelas ruas, os passageiros nos coletivos vendo através de mim, as crianças de rua jogando bolas de papel através do meu ocaso, namorados atravessando de mãos dadas minha ausência. Eu caminhava inerte porque assim tinha de ser e eu de fato o era, havia o mundo e eu dentro dele e outras pessoas para as quais eu simplesmente não existia.

Eu atravessava as ruas e olhava as saias das moças, mesmo atrasado. Nenhuma delas me sorria e algumas gostariam de me ameaçar pelo desacato, decerto poucas ameaçariam fingidas para que eu reparasse noutros bordados de sua prenda e lhes segurasse o pulso e lhes roçasse a fúria em lábios e palpitações, mas estou certo de que eram poucas. Eu não era esse homem de despertar tanta fúria nas mulheres, eis aí uma grande frustração pra qualquer homem que se preze.

Cruzei a última esquina e logo o porteiro me cumprimentou, o mesmo sorriso, o mesmo bigode falho numa das pontas, os mesmo dentes necessitados de flúor e cálcio. Não havia me atrasado e ainda possuía dez andares a escalar. Dentro do prédio, o ar-condicionado me isolaria da luz e do calor e eu seria ainda mais inexistente, uma peça dentro de um organograma.

O primeiro dia sem ela não seria nada fácil. Ela levara quem eu gostava de ser junto das coisas na mala. Só me restou aproveitar um rascunho que achei perdido entre os lençóis.

parque das ruínas – santa teresa

 

nas ruínas do nosso

amor antigo

o passado nunca

se passou

poeta-jornalista, desarmado e perigoso

Segue abaixo a matéria (e seu link) sobre o show de Ranking Joe, no Teatro Odisséia do RJ, no dia 14/11/2006, escrita pelo menos objetivo dos jornalistas inexistentes: eu.

Foi para o portal da casa da matriz:

A felicidade era geral e de toda a nação. 

http://www.matrizonline.com.br/teatroodisseia/arquivos/2006/11/ranking_joe_no.php?codMenu=4

 

Joseph Jackson nasceu em Kingston, na Jamaica, em 1959. Já na década de 70, teve seu debut musical sob a alcunha de DJ Jolly. Aos 15 anos, mudou seu nome para Little Joe seguindo os conselhos do cascudo produtor musical Clement “Coxsone” Dodd, um dos primeiros produtores de Bob Marley, que realizou sua primeira pedrada no joelho, “Gun Court”. Nessa época, apesar da tenra idade, Little Joe já se apresentava com Horace Andy, Dennis Brown e outros grandes do reggae jamaicano de raiz.

Com o passar do tempo, Little Joe já não era tão little assim. Foi então que Prince Tony resolveu corrigir aquela imprecisão descabida e o rebatizou de Ranking Joe. Nessa mesma fase, conheceu o DJ-mor, o mestre dos mestres, U-Roy, com quem acabou trabalhando no mesmo soundsystem, o mais popular da Jamaica. Essa influência foi fundamental na carreira de Ranking Joe, que se tornou de imediato um dos grandes discípulos uroynianos na fina arte do rub-a-dub.
Seguindo a tradição zen, que prediz a superação do mestre pelo discípulo, Ranking Joe desenvolveu um estilo original de improviso superacelerado, apelidado pelo próprio de “bang-dilly”, que acabou tornando-o conhecido também por outra alcunha: Bionic DJ. A partir daí, surgiram os primeiros discos e a carreira internacional com excursões de sucesso aos EUA e à Inglaterra. No Brasil, o jamaicano é mais famoso pela recente participação nos vocais do “Dub side of the moon”. É dele o improviso hipnótico “time is da mastaaaaa…”, em “Time”, que faz a cabeça avoada de nove entre dez doidos.

Pela primeira vez no Brasil, Ranking Joe teve a honra de encher bonito o Odisséia numa noite de gala para o reggae no Rio: Groundation, na Hebraica; Ranking Joe, no Odisséia; e, correndo por fora, Natiruts, no Claro Hall. A noite começou com o aquecimento de praxe do Digital Dubs e seus inúmeros convidados, que continuam comprovando sua versatilidade e ajudaram o pessoal a sintonizar na freqüência ideal. Nabby Clifford mostrou grande habilidade no toast, enquanto Black Alien demonstrou total domínio do improviso com a sua verborragia repleta de referências enlouquecidas e tiradas geniais, deixando o público entregue de bandeja ao jamaicano.

Ranking Joe não teve muito trabalho, pois o jogo já estava ganho. Cantou sem banda, no fiel estilo jamaicano do soundsystem: o MC (que na Jamaica chama-se DJ) cantando sobre diferentes bases pré-gravadas e o DJ executando-as, sem dó nem piedade. Daí pra frente foi só seguir o conselho do flanelinha que cuidava (ou não) dos carros lá fora e “deixar solto”. O cara sabia o que estava fazendo e emendou riddims de Bob Marley, Burning Spear, Max Romeo e muito mais, passeando por diferentes momentos e estilos do reggae, deixando todo mundo de bobeira e menos triste com o fato de U-Roy ter vindo pra São Paulo e não ter tocado no Rio. Estávamos, de certa forma, vingados.

De repente, deu quatro e pouco da manhã, a festa acabou e tudo transcorrera nos conformes, sem brigas, empurra-empurra, sem puxar cabelo e braço das meninas, e todo mundo chegando no talento, como deveria ser sempre. A felicidade era geral e de toda a nação. Tivemos uma típica noite de reggae, com certeza

poeta e camarada

Conheci Flávio Lemos há muito anos, mais ou menos em 1789, um pouco antes da Queda da Bastilha. Eu já era poeta e pisava os astros, distraído. Ele era fuzileiro naval e tinha uma coleção de pulgas atrás da orelha. Hoje, compartilhamos o ofício de lavrador de palavras, já que ele deixou o fuzil de lado.

Seus poemas são bem marginais, embriagados e cheios de ironia. Abro aqui um espaço (mesmo que virtual) para seus poemas cheios de realidade:

 

já estive bem

já estive ruim

já steve mcqueen

já estive rock

jaz em mim

poesia e deboche

fuzileiro dos versos

que me levam de reboque,

sigo

orgulho e vergonha

em chamas chamando

cercado de nortes..