Arquivo de março \09\UTC 2007

licença poética

 

 O poeta sai de férias e pede licença enquanto vai buscar uma estrela no céu.

Nos vemos em abril.

ainda rimbaud

arthur rimbaud fez o maior sentido até os seus 20 anos, quando largou a poesia e foi ser traficante de armas na áfrica, só pra (con)fundir a cuca da rapaziada.

antes, deixou-nos seu credo, sua receita de bolo, para quem não quiser perder tempo no breve sonho da vida.

Afirmo que é preciso ser vidente, fazer-se vidente. O poeta se faz vidente por um longo, preciso e racional desregramento de todos os sentidos. Todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura; busca a si, esgota em si mesmo todos os venenos, a fim de só reter a quintessência…”

o resto é silêncio maquiado.

embarco, ébrio (tamojunto, rimbaud)

 

ébrio feito barco de verso

singro a rua das laranjeiras

sem eira nem beira

 

rimo por acaso

uma canção

  

acordo… mais um dia

manhã de olhos abertos e

pálpebras de asas de borboleta

que batem, piscando,

acostumando com o brilho pouco

da penumbra, lusco-fusco

n’alvorada da beleza

do teu corpo ao meu lado

  

quem me dera a eternidade

da ternura que dura

  

quem me dera viver o sonho

em vez de meramente sonhá-lo

  

quem me dera

exatamente isso que, juntos,

somos e somamos,

cansados, calados, colados

inaugurando um novo amor

 

momento maiakóvski

maiakóvski comprovando aquele papo de “love kills”. viveu, bebeu e amou como quis.

 

 

DEDUÇÃO
Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.

pombas!

 

não sabia se sim

mas ia firme

 

olhar pra terra

num vôo desse

seria um crime

apologia ao amor (sim, ele ainda existe)

parem
eu confesso
sou poeta

cada manhã que nasce
me nasce
uma rosa na face

parem
eu confesso
sou poeta

só meu amor é meu deus
eu sou o seu profeta

(p.leminski)