Arquivo de dezembro \12\UTC 2009

barfly

muito obrigado, garçom
pelo papel, pela caneta
e pelo biodiesel
sem o qual nada disso
seria possível

noites de blues

versos que não são
goles em vão
é noite de blues
melancolia de plantão

no bolso

poesia de bar,
de madrugadas mesmo,
daquelas violentas
destiladas, indomáveis
monstruosamente frágeis…
como esse guardanapo
rabisco molhado de mais
um poema perdido
no bolso furado
de um bêbado fodido

cronolentas

essa noite não passa
mas a vida sim
bem aqui nessa esquina
por cima de mim

flagrante de litro

sei que ando distante
mas ainda cometo
meus crimes com agravantes
e com a pena que me imputam
escrevo como nunca
(ou como antes)
a dor e a delícia
de tantos flagrantes

eu via a vida que havia

havia a vida
eu via
o coração batia
a vida crescia

mas eu sei,
a vida varia
foi então que
um dia
não mais vivia
a vida que havia
ninguém mais sorria
a barriga vazia
por entre nossos medos
mais um sonho
se esvaía
e não havia mais
a vida que eu via