todos meus medos
já foram
medidos
“Só os profetas enxergam o óbvio” Nelson Rodrigues
todos meus medos
já foram
medidos
da minha trincheira
eu combato
o hábito de ser
o costume de existir
e o que mais
meu coração pedir
3 e tal da madrugada
e continuo achando
que sozinho
nunca serei nada
minha doce ilusão
ensimesmada
e a paranóia urbana
dilacerada
compõem, juntas
uma só piada
destilada
programada
mal contada
mas bastante acreditada
de manhã
à noite
ou às 3 e tal da madrugada
esse poema
que já nasce tolo
foi ganhando rimas pobres
se fingiu de grande coisa
mas nem chegou a ter um mote
foi ficando por aqui mesmo
sem sequer ter outra estrofe
cada verso meu
é um tiro livre
direto
que bate no chão
ricocheteia no teto
acertando em cheio
os desafetos
em cada palavra, um veto
um não diferente
um olhar à frente
apesar dos descrentes
que preferem viver
entre parênteses
a se elevar
à décima quinta potência
gente que olha pra frente, uni-vos!
tenham menos paciência
o amanhã é uma urgência
componho com
parcas rimas
sísmicas
uma antologia
das minhas cismas
soletro minhas dores
e me subscrevo
nesses meus
velhos medos
como drummond,
tenho o sentimento do mundo
e duas mãos cheias
de dedos
Jesus Cristo,
eu estou aqui,
no exato momento,
fazendo xixi
nada nesse domingo
fez meu coração bater
o dia nascer e morrer
à tarde, foder
à noite, escrever
e beber
amanhã, quem sabe,
voltarei a viver
nunca mais
nem menos
só eu
somenos
olho para o céu
com fome de estrelas
hoje sumidas
entre nuvens espessas
por onde andam
as esperanças
que não brilhando?
pobre poeta bobo
de novo
sangrando
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